“Eu não sei se sou demais.
Não sei se deveria ser mais fria, mais insensível.
Mas a verdade é que não quero.
Eu prefiro sentir o fogo.
A vida.
Pulsando nas minhas veias e me fazendo explodir em verdade sagrada.
Prefiro viver sem pedir desculpas.
Prefiro amar sem pedir licença.
Afinal, o amor não vem da mente.
Ele nasce das profundezas da alma,
onde a racionalidade não consegue alcançar.
E eu prefiro queimar nele.
Sem questionar.
Ser o amor.
Encarnado.
Vivo.
Pulsando.”
Em minhas pesquisas literárias, mergulhei na história da poeta do século XIX (1810–1876), Louise Colet.
Apesar de tudo contra, ela foi uma força. Uma potência sagrada.
Seu legado, mesmo diante de séculos de repressão, sobreviveu.
Numa época em que mulheres sequer tinham voz, Louise exalou alma.
E, como água, se espalhou pelas frestas de vida que ousavam pulsar ao seu redor.
Ainda assim, foi diminuída.
Louise era vista como intensa demais. Seus textos, sensíveis demais.
Até exagerados.
E eu me vi nela. Por anos tentando esconder a força da vulnerabilidade e potência que pulsavam dentro de mim, por medo de assustar pela intensidade.
Quantas vezes nos silenciamos para não parecermos “demais”?
Quantas vezes contivemos nossa potência para nos encaixarmos melhor?
E aí, o vazio se instala.
Inspirada por ela, escrevi o poema que abre este texto.
O legado que Louise deixou, e que chegou até mim como um sussurro de força, não foi o que ela conteve, mas o que ela ousou expressar.
Sua alma ardia em missão.
Que, assim como Louise, tenhamos coragem de viver nossa verdade,
e de marcar gerações pelo simples ato de não termos medo de ser quem verdadeiramente somos.
P.S.: A obra que ilustra este post foi pintada por Gustave Flaubert, seu grande amor, que também teve dificuldade mental em compreender a natureza sagrada de Louise.
Mas sua alma…
Sabia.
E não conseguiu resistir a ela.


